26 de maio de 2014

Carta para Londres

Hoje é um daqueles dias: cinza, repleto de água, de gotas escorrendo pela janela. Queria escrever que no rádio toca aquela música que tanto gostamos, mas seria mentira, os rádios foram substituídos em casa, na minha e na sua, por outras formas de se escutar música e não há mais o acaso, não há aquela surpresa, boa ou ruim, quando determinada música toca, inesperadamente na programação do dial.

Na verdade, ouço algo que descobri faz pouco tempo. E algo que combina com o tempo de hoje.
Há tempos venho querendo escrever. Nosso contato é quase nulo e sinto falta de nossas correspondências. Sempre foi bom receber notícias da tua fria Europa. Você sempre foi da Europa, mesmo quando ainda estava aqui no Brasil. Já eu sempre fui tropical, mesmo quando estava aí pelos teus lados.
É engraçado que se eu fosse te considerar um país, você seria a Inglaterra. Se fosse uma cidade, seria Londres. E não, eu não conheço Londres. Só sei que Londres é distante, é cinza e chove quase sempre. Ainda assim é linda. É, eu acompanho suas fotos. Fotos de Londres. Do colorido das cabines telefônicas.

Por essas terras tropicais tudo certo. Outro inverno vem chegando. Serão mais dias cinzas e mais dias chorosos. Mais dias, uns seguindo-se aos outros. Dias secos. Às vezes azuis, mas frios. Frios como toda essa melancolia que insiste em escorrer junto com a chuva que escorre em gotas pela janela.
Faço planos que nunca vão sair do papel. Queria conhecer Londres. Queria levar a minha primavera tropical, espalhar minhas cores na tua pele. Mas eu não vou. Eu queria ligar, mas tem outra pessoa usando a cabine telefônica. E eu acho que eu já não sei esperar mais.

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