16 de janeiro de 2015

Sobre cartas não enviadas

Eu queria escrever tanta coisa.
Passar tantas outras a limpo.
Queria saber de uns pensamentos. Dar um pulo no futuro e voltar sem alterar o rumo das coisas.

Esse é o ano onde comemoro 30 anos.
E aí?
O que é que foi que eu fiz da vida?
O que é que eu tenho da vida?
QUEM eu tenho na vida?

Eu ando vazia. Vazia de mim. Vazia de desejos. Esperando que o tempo passe rápido e as coisas se resolvam por si só.
Tenho medo de arriscar. Medo do novo. Medo de ir atrás da solução de uma dúvida de uma vez por todas.
Faço perguntas e não sei se quero ouvir as respostas.

Queria dizer que ainda estou chateada. Que aquele último telefonema me machucou muito. Machucou tanto que acho que perdi a fé na humanidade, na capacidade das pessoas se respeitarem. Na capacidade de existir amor. Amor mesmo. Não necessariamente o amor entre casais, mas amor na forma pura de não esperar absolutamente nada em troca, amor de amigos, de irmãos.

Amor de verdade, talvez, só o de mãe.
Aquela ligação derrubou um castelo. Um castelo de confiança. De admiração.
Eu perdi muita coisa naquela ligação. Era domingo, era por volta de meio dia. Eu ainda lembro.

E olhando pra trás eu vejo quanta coisa eu já perdi. Quantas cascas, quantas camadas de mim eu fui perdendo... Ou acrescentando em torno de mim...

Penso nas coisas. Penso em pessoas que quis perto de mim. Penso na confiança.
E por não conseguir confiar, eu fico perseguindo o impossível, porque aí eu não me envolvo. E não me envolver foi a melhor maneira que eu encontrei de não sofrer, de não continuar perdendo.

Eu queria sim, sentar e conversar. Mas não dá. Conversar hoje não vai mudar o que houve.
Não vai apagar os meus ou os teus erros.

Tem tantas cartas que eu queria mandar.
Tem tanta coisa que eu queria dizer.
Saber se nessas entrelinhas da vida, esse outro você, pensou em mim como uma possibilidade.
Pra outros queria perguntar se quando você dizia que eu era incrível e que queria construir a nossa família, se isso tudo era verdade ou era só da boca pra fora.

Pra alguns a minha pretensão era entender o chá de sumiço. Entender o medo.
Há ainda aqueles que receberam de fato minhas palavras e somente responderam que não poderiam responder.


Tem muita coisa bagunçada aqui.
E eu não faço ideia por onde começar a arrumar.


Um comentário:

  1. Sim sentar e conversar não apagaria os erros, ainda bem, com os erros vem aprendizado.
    Sobre a ligação no momento só posso pedir desculpas. Leio seu blog não para saber da sua vida, leio pq sempre gostei e me preocupo com você. Sei que não está bem.
    Só posso dizer que a minha parte eu fiz, vou parar de passar por aqui e deixar você no seu canto.
    Se um dia precisar de alguém para conversar estarei aqui e sempre vou te responder nem que seja um email de madrugada.
    fica bem.

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