10 de março de 2015

Sobre desapegar e outras coisas mais

Então você tem que enfiar na cabeça o que é ou não pra você.
Quem é ou não, pra você.

E você tem que se amar. Mas como amar alguém de quem você conhece os mais profundos e obscuros defeitos?
Como lidar com alguém a quem você conhece 90% dos defeitos, mesmo que você não admita?
Como sair de si, achar qualidades que se equilibrem aos defeitos?

Me dizem que sou incrível. Ok, posso até ser, mas a quantidade de muros em torno do castelinho que a pessoa tem que desbravar pra descobrir isso é enorme.
Sabe, eu to com quase 30 e eu só queria ser incrível pra mais gente. Não como o AMOR DA VIDA, mas amizade mesmo.

Eu costumava ter tanta gente por perto, ter tantos convites pra sair, e sei lá como, eu fui me "fechando em copas", fui jogando as pedrinhas que eu fui encontrando , não no castelo, mas em torno dele.

A vida pra mim é muito lógica: querer, poder, necessitar. Às vezes você utiliza o três verbos, às vezes dois, mas o ideal é usar apenas um. Separar as coisas que você quer, pode ou necessita.
Faço isso com as pessoas o tempo todo. E talvez por isso eu me feche tanto. Não que eu não precise, mas preciso de poucos. Queria muitos? Sim. Não vou mentir que adoraria voltar a ser aquela pessoa que sempre estava com outros amigos. Mas essa solidão às vezes me faz bem. Outras vezes não.

Só é difícil desapegar daquilo que quero, não necessito e não posso. Sinto me um cachorro na frente do forno com frango assado. Televisão de cachorro, sabe?
Assisto de longe. Quando me encho da falta de atitude, saio andando, com os pacovás cheios.

É onde entra a questão: quem é que topa chegar perto? E por que tanta gente tem uma impressão errada?

Em algum lugar do meu inconsciente gravaram uma informação errada de que relacionamentos/pessoas são como um jogo de War: conquistar mais e mais. E isso tá errado, mesmo que inconsciente.
Não sei se é porque não encontrei a pessoa certa. Tô jogando o jogo errado. Não tô sabendo as regras dessa coisa de sociedade, de relacionamentos.

Aí toca Perfect da Pink.
Vou ao chão.
Nocaute.
Pego o violão. Não sai.
Sai o começo de Linger um pouco mais acelerado. Quase tão rápido quanto os pensamentos que vão surgindo na cabeça.
Eu não sei contar o tempo certo. Eu sei dizer quando o tempo não está certo, mas não sei contar o meu próprio tempo.

Desapegar. De hábitos, de pensamentos.
Será que alguém vai ter coragem de passar pelos muros e chegar no castelo?
Cansei de jogar War sozinha.

"Eu sei, jogos de amor são pra se jogar
Ah, por favor, não vem me explicar
O que eu já sei, e o que eu não sei
O nosso jogo não tem regras nem juiz
Você não sabe quantos planos eu já fiz
Tudo que eu tinha pra perder eu já perdi
O seu exército invadindo o meu país
Se você lembrar, se quiser jogar
Me liga, me liga"

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