18 de maio de 2015

O Elefante.



Passei a tarde bebendo. O que não exatamente signifique eu esteja bêbada neste exato momento.
Neste exato momento estou ouvindo Elephant Gun pela quinta vez. Você não lembra, mas me pediu para ver o videoclipe da música num dia em que eu estava triste.
Meu estômago dá mais voltas que os bailarinos do vídeo. E não, não estou bêbada. É que lembrar você me dá borboletas no estômago.
Tenho tentado entender tudo o que se passou.
Tudo o que se passa.
Sou um bicho chato que não gosta da ignorância, que não gosta de não saber das coisas, que não gosta de não entender.
E eu não sei exatamente quando ou por que a minha vida tomou esse rumo. Não é um rumo ruim.
Eu caminho por estradas que me deixam em paz.

Beirut me deixa em paz, mesmo tocando em algo aqui dentro que, de certa forma, incomoda.
Não sei descrever essa sensação de paz e incômodo que sinto ao mesmo tempo. Consola a dor, mas não faz a dor desaparecer.
Beirut é quase como um colo quente que acolhe as lágrimas salgadas num dia frio.

Escuto Elephant Gun pela sexta vez.
Bato o olho no relógio: 22h38.
Por quantas vezes eu contei os minutos para estar contigo? Por quantas vezes eu achei 23h um horário mais perto da minha felicidade?
Por quantas vezes os poucos minutos me alegraram?
Por quanto tempo vou pensar nessa história toda?

Isso aqui não é real. Eu tô fantasiando um conto. Tô falando de uma vida que não aconteceu.
Falo das possibilidades que eu sonhei pra gente. Da viagem pra Cuba. Da foto de você só de camisa que eu não tirei.
Eu tô presa numa redoma de vidro com o meu passado. Presa com o passado que não existiu.

Sabe toda essa pose de pessoa bem resolvida? Então, isso tudo é mentira.
Mentira. Parte da pose é mentira. Eu tô bem, eu juro.

Só queria ser foda por uma noite. Só queria uma foda por uma noite. Não com você. Mas com qualquer outro corpo que se dispusesse a desprender energias.
O foda é que eu não tenho nem a foda, nem você.
O foda é que não tenho nem lembranças dessa história que nunca existiu.
Esse elefante branco que ocupa espaço na cabeça e no coração.


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