6 de maio de 2015

Sobre talvez eu não saber admitir algumas coisas

Eu acho engraçado como eu consigo solucionar todos os problemas da vida dos outros.
Acho foda como tudo é tão simples na minha cabeça, como é básico perceber que, sim, sua mãe vai pegar no seu pé se você tem apenas 20 anos e acabou de se mudar para São Paulo; notar que realmente você não vai dar certo com ninguém enquanto você não der certo consigo mesmo. Acho óbvio demais que suas contas não vão bater no final do mês se você gasta mais do que ganha e especialmente: se você sequer sabe quanto você gasta num mês.
Esses são os problemas dos outros. Resolvo todos eles numa tacada só. Resolvo esses num rabiscar um rascunho qualquer. Desenho soluções se for preciso.

Num geral tudo se resume em: Relacionamentos.
Eles estão por todas as partes.
E o nosso maior é problema é que a gente não sabe lidar com o outro. Especialmente porque nós não sabemos sequer lidar com nós mesmos.
De sexualidade a carreira: somos um poço sem fundo de questões que talvez a gente demore anos para responder, não porque a gente não sabe a resposta, mas às vezes, simplesmente porque admitir a resposta dói.

Verdades nem sempre são doces.
As minhas verdades quase nunca. Ainda mais quando tenho que falar sobre relacionamentos.
Ainda mais quando eu tenho que falar sobre os meus relacionamentos. Talvez por isso eu tenha optado em ficar solteira, em levar grandes oportunidades em "banho maria".


Talvez no fundo eu tenha medo de dar certo com alguém. Auto-sabotagem como diria o Titi (apelido carinhoso do Ítalo).

Ou a minha vida seja só desencontros. A garota perfeita é hétero. O cara perfeito é bom demais pra mim. Ou eu não sou hétero o suficiente. Ou eu tenha medo de que o sexo não seja tão bom quanto os papos, os "amassos". Ou eu não sou tão bi quanto eu acho que eu sou. Ou eu não queira admitir que posso ser feliz com quem gosta de verdade de mim. Ou tenho medo de arriscar um relacionamento à distância de novo.
Talvez seja tudo isso. Talvez.

Talvez eu goste de pessoas mais novas porque elas sempre vão me dar problemas. Ou talvez eu é que goste ser um quebra-cabeça pra essas pessoas.
Tá vendo, tô provando por A + B tudo o que eu disse ali em cima: a gente não sabe lidar direito nem com a gente mesmo, que dirá com os outros. E olha que ultimamente me disseram que sou bem resolvida.
Gatinhos e gatinhas, se eu fosse bem resolvida eu estaria namorando e feliz. No momento estou só feliz.

Não me acho bem resolvida. Muito pelo contrário.
Aliás, desde que voltei de Piracicaba eu estou uma zona por dentro.
Acho que é medo de admitir que me apaixonei. E eu não sei responder se eu ainda estou apaixonada, caso eu tenha realmente me apaixonado.
O ruim da paixão é pensar nas possibilidades. Então quando coloquei possibilidades versus realidade, percebi que estava sonhando alto demais. Cortei expectativas e fugi.

Sai correndo. Fui pro meu porto-seguro. Fui procurar a certeza que eu não admito que é certeza. Fui procurar o amor, que não é paixão. Fui parar em SP. Fui parar nos braços de quem me irrita mas eu não consigo me imaginar passando MUITO tempo longe.

O que pode ter acontecido também em Piracicaba é que eu estava longe de casa. E encontrei uma pessoa genial. É uma possibilidade. Um único alguém com quem eu conseguia falar de coisas extra-trabalho.
Música. Filmes. Política. Alguém foda. Alguém que é o meu avesso. E sendo o avesso de tudo o que eu, coxinha capitalista pseudo pop hipster, pseudo intelectual - sou, é incrível.

A gente sai de mãos limpas dessa história, não é mesmo, Alanis?

Tá, mas e agora?
Agora eu voltei para São José, agora eu vou voltar a trabalhar, agora sobra tempo, sobra tempo demais pra eu ficar pensando em todas as coisas que eu queria ter dito.
Sobra tempo para eu me chatear por ouvir um "a gente não daria certo".
Sobra tempo para eu ficar quieta, me achar incrível por não ter me tornado mais um problema na vida de alguém, só porque o meu ego às vezes precisa provar que eu sou interessante e, blah, irresistível.
Agora sobra tempo pra eu pensar se me apaixonei ou não.
Sobra tempo para sentir falta. Sobra tempo para querer mais conversas. Sobra tempo para adiar outras conversas.

Sobra tempo para escrever coisas e ficar me perguntando outras coisas mais.

E você? Como você está com você mesmo?



Nenhum comentário:

Postar um comentário