29 de setembro de 2015

Conversa (mais ou menos) séria

Papai do céu? Ei, Pai. Tá me ouvindo?
Espero que sim. Acredito que sim.

Em primeiro lugar, obrigada. Obrigada por me conceder uma vida, saúde, alimento, abrigo, trabalho.
Obrigada pela minha família. Pelos meus amigos.

Mas vamos conversar?
Como é que fica meu coração? Até quando eu vou ficar nessa inércia. Nesse não amar ninguém.
Você tem alguém reservado para mim? Ou sou eu que não estou pronta? Ou ainda: você quer que eu devote minha vida somente a ti?

Sabe, Pai, essas perguntas me deixam inquietas, e sei que somente Você tem as respostas. Sei também que não me cabe conhecê-las.
Sei também que não sou a melhor filha do mundo. Que às vezes sinto raiva ou penso coisas ruins a respeito de meus irmãos, sei que em muitas ocasiões falho como cristã.
Perdão! Eu juro que não faço por querer.

Voltando ao assunto, Papai do Céu: e meu coração? E essas lembranças? E essas carências repentinas?
Eu sei que está tudo encaminhado. Eu sei que eu tenho que ter paciência.

Me ajuda, Papai do Céu? Me ajuda a me tornar a cada dia uma pessoa melhor. E me dá paciência para esperar corretamente pelos teus caminhos.
Eu sem você não sou nada. Me ajuda a confiar mais, me entregar mais.

Boa noite.

22 de setembro de 2015

Mais reflexões sobre a minha vida

Chega um momento na vida em que você começa a perceber exatamente aquilo que te atrai ou deixa de atrair em alguém.
Confesso que nos últimos anos esperei me encantar por alguém mais velho, carreira já mais ou menos definida, detalhes que me permitissem sonhar numa vida à dois. Esperava conhecer alguém assim e TCHARAN me apaixonar.

Esperei tanta coisa. E fui me tornando uma pessoa chata lúcida.
A cada dia que passa eu acho que minha busca (mesmo sem estar buscando) fica ainda mais difícil.
Não que todo mundo seja ruim e eu seja a boazona. Não é isso.

É uma questão de buscar pessoas parecidas comigo. E ainda vai demorar pra eu me apaixonar novamente.
Tive plena certeza disso essa semana.

Uma hora eu acho. Ou vão me encontrar.
Desisti de ter pressa.

Percebi que eu gosto de pessoas engraçadas, mas não gosto nem um pouco de gente que fala demais. Gosto de gente que me deixa curiosa.
Não gosto de joguinhos.
Se eu quero, eu quero. Se não, não.

E não é plantando dúvidas no coração que vão me deixar curiosa.
Tem tanta coisa acontecendo.

Sinto falta de um colo sem pretensões.

3 de setembro de 2015

Feijão

Às vezes bate essa vontade insana de sair escrevendo, escrevendo.
Eu sempre me repito quando digo que quanto mais as palavras saem, mais leve eu fico.
Não sei ser efêmera com algumas coisas.
Sou meio Cazuza. Ariano-foda-sem-papas-na-língua. Inconsequente e apaixonado pela vida.
Exagerado.

Eu não sei lidar com o vazio que me é imposto. Não sei lidar com o silêncio quando tudo o que quero é falar.
E mesmo não sabendo lidar eu vou seguindo. Vou engolindo de volta cada palavra não dita, desdita, implícita.
Rumino. Tento digerir.

No fim do dia fica essa sensação de algo parado na garganta. Algo sufocando.
Digito. Apago. Faço declarações de amor, para apagar logo em seguida.
Me apaixono e desapaixono. Uso a razão.
É tanta coisa ao mesmo tempo.

Faço declarações de guerra. Sinto a ira em cada poro da minha pele.
Saio para correr como se eu conseguisse deixar para trás cada pensamento que me abomina. Minha cabeça é minha maior inimiga.
Minha maior aliada.

Corro contra o tempo. E crio paciência. Ou tento.
Coloquei a paciência dentro de uma garrafa, em cima de um pedaço de algodão, tal qual a gente faz com broto de feijão.
Eu vou falando, falando. Preenchendo lacunas. Fazendo perguntas que eu sei que vão permanecer sem resposta.
Mas as lacunas que eu queria preencher palavra nenhuma vai completar.

Transbordo sentimentos. Meu mundo é bem mais extenso. Meu humor é bem mais requintado.
Só tenho esse problema com as palavras. Com as palavras que insisto em censurar.
Esse problema com o broto de feijão que insiste em não brotar.