3 de setembro de 2015

Feijão

Às vezes bate essa vontade insana de sair escrevendo, escrevendo.
Eu sempre me repito quando digo que quanto mais as palavras saem, mais leve eu fico.
Não sei ser efêmera com algumas coisas.
Sou meio Cazuza. Ariano-foda-sem-papas-na-língua. Inconsequente e apaixonado pela vida.
Exagerado.

Eu não sei lidar com o vazio que me é imposto. Não sei lidar com o silêncio quando tudo o que quero é falar.
E mesmo não sabendo lidar eu vou seguindo. Vou engolindo de volta cada palavra não dita, desdita, implícita.
Rumino. Tento digerir.

No fim do dia fica essa sensação de algo parado na garganta. Algo sufocando.
Digito. Apago. Faço declarações de amor, para apagar logo em seguida.
Me apaixono e desapaixono. Uso a razão.
É tanta coisa ao mesmo tempo.

Faço declarações de guerra. Sinto a ira em cada poro da minha pele.
Saio para correr como se eu conseguisse deixar para trás cada pensamento que me abomina. Minha cabeça é minha maior inimiga.
Minha maior aliada.

Corro contra o tempo. E crio paciência. Ou tento.
Coloquei a paciência dentro de uma garrafa, em cima de um pedaço de algodão, tal qual a gente faz com broto de feijão.
Eu vou falando, falando. Preenchendo lacunas. Fazendo perguntas que eu sei que vão permanecer sem resposta.
Mas as lacunas que eu queria preencher palavra nenhuma vai completar.

Transbordo sentimentos. Meu mundo é bem mais extenso. Meu humor é bem mais requintado.
Só tenho esse problema com as palavras. Com as palavras que insisto em censurar.
Esse problema com o broto de feijão que insiste em não brotar.

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