9 de maio de 2016

Chuva de outono. Ou como falar sobre lágrimas.

Levo em mim todas as tormentas do mundo. Não da forma lírica como eu gostaria, mas é que eu saio esparramando palavras à torto e à direito, como quem carrega um balde cheio d’água.
É salgada a água que levo. Plantei lamúrias, colhi lágrimas. Carrego os frutos num balde por aí.
O balde pesa. Eu paro e penso.
Eu peso as lágrimas. E vou carregando dentro de mim mais coisas do que posso aguentar, vou rompendo as barreiras... Vou me recriando... Me refazendo. Me “recoisando”. Deixando a represa arrebentar...
Eu me devoro, me desfaço. Às vezes em lágrimas.
A tormenta que chega é chuva que cai. Cada gota uma lágrima.
Lá fora faz sol, mas aqui dentro chove. Lá fora tudo é bonito, mas aqui, aqui é cinza.
Eu gosto de cores gris. Eu gosto do outono. Mesmo que lá fora não chova, no outono aqui de dentro, sempre chove.
Há um mar dentro de mim.
A ressaca chega. O tempo vira.
O tempo passa...
E vou virando a vida às avessas. E aí o meu mar, vira alegria. A lágrima, antes fruto da lamúria plantada, agora lava a alma. De alma lavada, me sinto alva.
A semana termina.
Eu recomeço.

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