28 de novembro de 2016

Leve

A vida tem o peso que a gente dá em cada coisa.
Entrei num pacto comigo mesma de ser leve.

Pegar leve comigo, pegar leve com os outros. Leve.
Levar pra longe as tristezas, as angústias. O passado.

Um dia de cada vez. Voltar a me exercitar. Voltar a ter paz.
Parece que, por enquanto, está funcionando.

24 de novembro de 2016

Dos rascunhos que eu retomo

Eu acho que eu nunca consegui dizer o quanto ou como eu amo.
E eu acho que isso talvez não seja necessário, mas escrevo por vontade de colocar na história toda essa coisa, esse romance proibido, esse Romeu e Julieta pós-moderno que me mata dia-a-dia.

Demorei na vida pra entender o que era amor-próprio. Demorei mesmo. Porque fazer a conexão entre amor e vida não foi uma coisa simples.
Estou me expondo? Talvez. De certa forma a exposição é necessária, não por necessidade de atenção, mas por necessidade de dizer.
Palavras me sufocam. Eu fico sem ar, as lágrimas vão surgindo.

Paro texto na linha acima. Retorno depois de inúmeros acontecimentos.

Isso aqui sempre foi meu muro das lamentações.
Eu preciso criar forças pra ressurgir.

Sinto raiva por ter acreditado no "Eu te amo" alheio. Raiva porque até o mais inocente dos homens saberia logo de cara que a relação entre um pinguim e um panda jamais daria certo, por mais que ambos sejam monocromáticos.

Eu não sei o que sentir.
Eu não faço a menor ideia de como começar a esquecer. Eu sei que eu tenho seguir em frente.
Se ela vai se arrepender? Talvez. Não posso pagar para ver.

Eu sei que está doendo.
Pra cacete.
Dor. Dor. Dor.
Tudo é dor. Dor e questionamentos. Perguntas que surgem como agulhas num voodoo.

21 de novembro de 2016

Sobre o fim (mais um)

Mais uma vez vamos escrever sobre encerrar ciclos.
Eu acho que depois de tantos anos eu desaprendi a sofrer por amor.
Foi um nocaute tão certo, tão rápido e tão intenso.

É como se eu tivesse jogado fora os últimos dez anos de vida. Todas as experiências, todo o meu saber, todas as minhas histórias de nada servem agora. Nada do que vivi antes serve para me dar amparo.
E fica tudo tão louco, tão dolorido. Fico sem esperanças.
Sem esperanças de que a vida pode ser boa.

Um, dois, três, quatro. Quinze comprimidos. Em nenhum deles está a cura para minha loucura. Em nenhum deles encontro a cura para a distância, para os desentendimentos, para a minha ansiedade.
Eu não sei ficar sem fazer nada.

Qual vai ser o foco daqui pra frente?
Não faço ideia.

Amores por inúmeras vezes são esquecidos.
Eu não quero discutir se ela me ama ou não. O meu maior medo agora é o de ser esquecida.
Eu me agarro as lembranças. Me machuco cada vez mais.

Cada novo machucado é uma dor nova.
Alguém sabe sofrer?

Eu me pergunto todos os dias: será que aquela mãe tem noção do furacão que ela causou?

Recomeçar.
Voltei dez anos no tempo.


2 de novembro de 2016

Sobre sensações

A estranha sensação de ser água.
Fluir.
Sem forma.
Escorrendo por entre os dedos por aí