25 de dezembro de 2016

Sobre o Natal na minha fantástica imaginação

Eu imaginei algumas coisas pra esse Natal.
Dentro do Mundo Fantástico de Priscila, se passássemos aqui devido às atuais circunstâncias de saúde da vovó, eu iria te buscar na rodoviária na sexta. Chegaríamos em casa, você iria desfazer as malas, e iriamo sair pra jantar: eu, você, papai e mamãe,
Provavelmente algo aqui por perto, ou talvez uma pizza e uma cervejinha aqui em casa mesmo.

Se saíssemos com certeza papai iria falar sobre o comércio aqui ao redor, sobre São José dos Campos, ou de como as coisas eram há inúmeros anos atrás. Ouviríamos suas histórias. Chegaríamos em casa iriamos continuar o papo até por volta de meia noite.

O sábado começaria cedo. Café da manhã. Eles iriam visitar minha avó e eu você ficaríamos em casa. Talvez fossemos para piscina. Talvez a gente aproveitasse os momentos á sós pra saciar alguns desejos.

Se fosse conforme o cronograma, eu e você iriamos os buscar papai e mamãe no hospital. Almoçaríamos fora. Depois seria o misto de alguma visitas: amigos da família e alguns parentes. Com direito a passar no mercado e trazer os últimos preparativos para a ceia.

Casa. Banho. Missa.
Passei a cerimônia toda imaginando como seria ter você ao meu lado durante o rito tão católico, tão familiar pra mim. Por vezes conseguir sentir sua mão esbarrando na minha, numa tentativa de sermos nós, ainda que dentro de uma Igreja. Você faria isso pelo "pecado" de segurar as mãos de outra mulher dentro de uma Igreja, eu faria porque não imagino (imaginava?) passar o resto dos meus dias ao lado de outra pessoa que não você.

Missa terminada, voltaríamos. A caminhada da igreja até em casa dura não mais que 15 minutos. É um caminho gostoso, arborizado, agradável para ser feito nessas primeiras noites de verão. São José está quente.
Na minha cabeça você e papai se dão bem. Muito bem, tão bem que vocês conversam e eu não preciso fazer "sala".
Vocês dois seguiriam mais atrás enquanto eu comentaria com minha mãe mais a frente que jamais imaginava um Natal assim.

Em casa, a ceia simples. O vinho. Nossas cervejas. Mais conversas. Arrumar a cozinha. Ver um pouco de tv. Aquela cena bem típica: eu deitada no seu colo enquanto você mexe no meu cabelo. Aliás, você lembra de como você gosta de mexer no meu cabelo?
A gente iria pegar no sono. Meus pais iriam dormir e só desligariam a tv. Minutos depois acordaríamos e conversaríamos sobre tudo. Sobre 2016. Sobre nosso encontro. Sobre como é incrível quando estamos juntas.

Dentro da minha cabeça assim seria nossa véspera de Natal.
Na minha imaginação essa simplicidade toda é capar de acontecer. Ou era.

Sabe, eu senti sua falta. Senti falta de receber uma mensagem tua. Senti falta de você perguntando se está tudo bem.
Mas é o que você disse: a gente já não faz mais parte da rotina uma da outra.
Isso me entristece.
O ruim disso tudo é que quanto mais eu tento esquecer mais eu lembro. Tento ocupar a cabeça com inúmeras outras coisas... Ainda assim, sempre tem um momento no dia em que você aparece.

Eu acho que você está bem sem mim. Acho que só eu to aqui pensando em tudo o que poderia ser.
Acho que dessa vez eu realmente estou sozinha.
Eu me pergunto cada a moça que não sabia lidar com o que sentia de tão intenso que era. Me pergunto onde está toda essa intensidade.
Me pergunto se poderia ter sido diferente. Será?

Estou seguindo.
Não é fácil, mas não é impossível.

23 de dezembro de 2016

Sobre meu humor de quinta

Eu gosto de irritar.
Eu gosto de tirar as pessoas do sério. Gosto de levar as pessoas ao limite.
Só faço isso quando gosto. Só faço isso quando eu amo. Do contrário não perderia meu tempo gastando energia com o que não me serve.

Um erro?
Talvez.
Infantilidade? Um pouco. Eu sou uma eterna criança.
Se você diz que eu carrego o inferno na cabeça, eu respondo mentalmente "Está no inferno? Então abrace o capeta"
Sou um anjo. Decaído obviamente, mas um anjo.

Não sei passar em branco.
Sei dar tranquilidade? Óbvio. Mas não existe paz sem guerra.

Hoje foi um daqueles dias em que acordei de péssimo humor.
Ando irritada. Aceitar que meus pensamentos estão corretos em relação a algumas coisas me deixa irritada.

Eu não sou um problema ambulante.
Os problemas é que acontecem perto de mim.

Ela diz que eu não trago uma notícia boa. Trago, sim, meu amor.
A notícia boa é: a vida é incrível.

Na real, eu irrito quando quero conversar.
Quando quero consertar.

Eu bato primeiro pra só depois assoprar.
Eu estou irritada com a covardia dela. Com o medo dela.
Bem irritada. Odeio gente sem atitude.

No mais, acho que vou perder minha avó em breve.

16 de dezembro de 2016

It's Friday, I'm in (a ending) love

Sexta-feira.
A conversa da terapia ainda está ecoando por aqui.
Três décadas de história sendo reviradas em apenas duas sessões.

Para cada dez anos de vida eu sofro de ataques de ansiedade que me paralisam. Por quê?
O que há de comum nesses relacionamentos? O que traz à tona a explosão da minha (tão sempre bem guardada) represa de sentimentos?

Nesta sexta acordei pensando nos planos, no Natal que eu queria passar em família. E por família inclua-se ela.
Pensei nesse e nos anos futuros. Pensei em como faríamos pra dividir a presença nas duas famílias.

"- Natal a gente passa em São Paulo e no Ano Novo vamos pra Minas, pode ser?"

Inúmeros diálogos que não vão existir.
Como sempre eu me fodi. Malditas expectativas. E isso é muito mais sobre mim do que sobre ela.
Eu esperava que ela tivesse coragem de lutar por um amor (ou pelo nosso amor) da mesma forma que eu.
Não me cabe julgar. Por mais que eu julgue. Entendo os motivos. E estou disposta a ajudar, mas aí a gente entra naquela conversa sobre adição: Não dá pra ajudar alguém que não quer ser ajudado. A única pessoa que pode fazer algo para resolver tudo isso, não sou eu.
Eu já percorri todas as opções possíveis e sou bem capaz de sair de casa, trocar de emprego, mudar de país.

Já ela...
O medo paralisa.
Não vou julgar.

Está doendo. Está doendo me convencer de que não devo insistir. Está doendo desistir. Está doendo.
E como dói. Dói ter que colocar na cabeça que não posso estar disponível. Dói seguir em frente. Dói pegar todas as lembranças e colocar numa caixinha. Dói tirar o Mag da cama e colocar num lugar onde meus olhos não podem ver. Dói sentir algum vestígio do perfume que um dia ali esteve presente.

É tudo sobre as minhas expectativas. Sobre a coragem que esperava que ela tivesse.
É sobre esperar passar o resto da vida com alguém. É sobre acreditar que dessa vez ia dar certo.

Mas não deu, cara.
Aí eu volto a chorar. Essa semana é a segunda vez. Semana passada eu chorei todos os dias.
E cada vez que eu olho pra frente, pras coisas que eu quero fazer eu preciso me desviar de um plano ao qual sem querer eu acabo acrescendo um nome.
Pensei nas férias, nas viagens. Pensei em shows.
Como é foda querer dividir a vida e não poder.

As perguntas permanecem.

10 de dezembro de 2016

Sobre a véspera

E a chuva torna a cair em São José dos Campos. Chuva pra mim é benção, afinal água é vida. A chuva molha a terra, molha a alma.
A gente planta, espera, acredita. A gente ama. A gente sempre mantém a fé de que vai ser melhor. Ainda que cada um acredite em algo diferente, em Deus, deusas, ou até mesmo não acredite, a gente ainda assim acredita que, de alguma forma, as coisas vão ficar melhores.

Mais um ano. Menos um, segundo os pessimistas.
Eu tenho fé de que plantei coisas boas. Só me resta esperar, deixar a chuva chover, o vento ventar, o rio correr e a Terra girar.

Hoje eu queria uma bebida, um abraço bem específico. Queria ser parte, queria estar presente. Acho até que queria ser eu o presente.
Uma lágrima escorre.

Em sempre vou te encontrar em cada detalhe do meu dia.

6 de dezembro de 2016

Hoje, morrer seria menos dolorido.
Escrevo pra tentar de chorar. É em vão.

Vínculos

Vínculos.
O que é essa coisa de criar vínculos?

Sei lá, eu me acho tão filha da puta quando percebo que tudo é uma questão de tempo. Pra acontecer, pra esquecer.
Tudo é tempo.

Ninguém é insubstituível. Não que dê pras coisas serem exatamente da mesma forma com todos. Sei lá, só acho que com o tempo, com a distância, pessoas, coisas situações, quase tudo deixa de fazer sentido.

É uma frieza. É um não ligar.
Não é que não dói. Dói. Sofro.
Mas eu sei que não é pra sempre. E isso alivia. É como se eu tivesse sempre alguém a me lembrar: calma, já vai passar.



Resgatei esse post de anos atrás. Muitos anos, diga-se de passagem. Na verdade dois anos. Dois anos é muito ou é pouco?

E parece que algumas coisas não mudam por aqui. Parece que eu vivo em ciclos eternos.
Em que momento da vida eu estou?
Num momento onde tenho certeza das escolhas que eu gostaria de fazer, mas ao mesmo tempo as minhas escolhas não dependem só de mim para ser completas.
O que me resta? Resta ir vivendo.

Eu sempre tive e sempre vou ter inúmeras perguntas. Especialmente porque o silêncio me incomoda quando há distância.
Silêncio só é bom quando há proximidade, porque aí há cumplicidade. Porque há um olhar, porque há o toque.

A distância precisa ser preenchida. Com palavras. Com gestos.
Como é que a gente sabe que vai valer a pena?
Como é que a gente sabe que vai ficar tudo bem?

Eu quero as respostas. E as respostas não dependem de mim.
Me resta ter paciência. E eu não sei se eu consigo conquistar essa virtude.

O que eu tenho a perder?
O que os outros tem a perder?

Eu sei quem sou e do que sou capaz.
Dou meus pulos, minhas voltas, faço meus "corre". Faço acontecer.

Paciência, eles dizem.
Paciência, eu peço.

Aos poucos vou desistindo. Não por não gostar, porque se tem uma certeza nessa história é o quanto amo.
Ontem eu lembrei de algo importante que eu disse a mim mesma: amo? sim, mas não sou idiota.

Vou deixar a porta aberta. Tô indo ali cuidar de mim.