16 de dezembro de 2016

It's Friday, I'm in (a ending) love

Sexta-feira.
A conversa da terapia ainda está ecoando por aqui.
Três décadas de história sendo reviradas em apenas duas sessões.

Para cada dez anos de vida eu sofro de ataques de ansiedade que me paralisam. Por quê?
O que há de comum nesses relacionamentos? O que traz à tona a explosão da minha (tão sempre bem guardada) represa de sentimentos?

Nesta sexta acordei pensando nos planos, no Natal que eu queria passar em família. E por família inclua-se ela.
Pensei nesse e nos anos futuros. Pensei em como faríamos pra dividir a presença nas duas famílias.

"- Natal a gente passa em São Paulo e no Ano Novo vamos pra Minas, pode ser?"

Inúmeros diálogos que não vão existir.
Como sempre eu me fodi. Malditas expectativas. E isso é muito mais sobre mim do que sobre ela.
Eu esperava que ela tivesse coragem de lutar por um amor (ou pelo nosso amor) da mesma forma que eu.
Não me cabe julgar. Por mais que eu julgue. Entendo os motivos. E estou disposta a ajudar, mas aí a gente entra naquela conversa sobre adição: Não dá pra ajudar alguém que não quer ser ajudado. A única pessoa que pode fazer algo para resolver tudo isso, não sou eu.
Eu já percorri todas as opções possíveis e sou bem capaz de sair de casa, trocar de emprego, mudar de país.

Já ela...
O medo paralisa.
Não vou julgar.

Está doendo. Está doendo me convencer de que não devo insistir. Está doendo desistir. Está doendo.
E como dói. Dói ter que colocar na cabeça que não posso estar disponível. Dói seguir em frente. Dói pegar todas as lembranças e colocar numa caixinha. Dói tirar o Mag da cama e colocar num lugar onde meus olhos não podem ver. Dói sentir algum vestígio do perfume que um dia ali esteve presente.

É tudo sobre as minhas expectativas. Sobre a coragem que esperava que ela tivesse.
É sobre esperar passar o resto da vida com alguém. É sobre acreditar que dessa vez ia dar certo.

Mas não deu, cara.
Aí eu volto a chorar. Essa semana é a segunda vez. Semana passada eu chorei todos os dias.
E cada vez que eu olho pra frente, pras coisas que eu quero fazer eu preciso me desviar de um plano ao qual sem querer eu acabo acrescendo um nome.
Pensei nas férias, nas viagens. Pensei em shows.
Como é foda querer dividir a vida e não poder.

As perguntas permanecem.

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