14 de janeiro de 2017

Rascunhos retornados

Eu sempre tive o hábito de escrever nas horas boas e ruins.
É estranho ser a pessoa a ter que falar pra sua mãe que a mãe dela se foi.

Mais estranho é esse sentimento de vazio que fica.
Vovó se foi.

Pausa.
Volto dias depois.
O começo disso aqui foi ano passado.
Minha ficha sobre minha avó ainda não caiu. Sinceramente? Eu não quero que caia. Minha avó foi matriarca de uma família enorme. Vovô casou duas vezes. Do primeiro casamento são 7 filhos, do segundo, 11, dos quais mamãe é uma parte.

Dezoito filhos.
Dezessete vivos.

Uma família enorme.
Da qual minha avó durante muito tempo esteve a frente. Meu avô faleceu uns 15 anos atrás. Eu acho. Não lembro direito da data, mas eu lembro exatamente de como fiquei sabendo. O telefone tocou, eu estava no banho, mamãe atendeu. Depois disso só ouvi o choro. Não lembro do velório.

Dessa vez foi diferente. Eu já esperava. Não queria, mas já esperava.
E doeu. E dói.
Sei lá, pra mim, minha avó ainda tá viva. Sou só eu que sou uma neta desnaturada e que não vou visita-la.

2016 foi difícil.
2017 está estranho.

6 de janeiro de 2017

sobre expectativas: queria que agora ela dissesse "Vai ficar tudo bem, eu vou cuidar de você"
Eu queria a opção de apagar tudo.
Mas não tem.

Meu coração tá cada dia mais despedaçado.
Vou manter a pose de forte.

4 de janeiro de 2017

Senhor dai-me forças pra resistir.
Aponta me um caminho de esperança.

Em ti confio, em ti espero. Cura com tua graça e teu amor toda ferida que há por aqui.
Pai de bondade, suplico que venha ao meu encontro, confortar-me com teu imenso amor.

Perdoa meus momentos de fraqueza.
Eu sem você, nada sou.

Restaura meu coração. Restaura minha vontade de continuar vivendo.

Eu não tenho mais forças, Senhor.
E sozinha eu não consigo.
Hoje é uma daqueles dias em que rezo pra morrer logo.
Se Deus pudesse me privar da dor e do sofrimento, hoje é aquele tipico dia em que eu estou implorando por isso.

O suicida pensa em tirar em própria vida. Eu não penso nisso.
Eu só cansei.

Cansei de ter esperanças de que algo alguma hora vai dar certo na minha vida afetiva.
Sério.

Cada vez que uma história minha chega no ponto onde "É melhor esquecer" eu sofro mais.
E eu não aguento mais sentir dor. Eu não aguento mais.

Eu quero bater a cabeça e acordar sem memória. Qualquer coisa que faça essa maldita dor passar.

Qual é o problema?
São as minhas escolhas? É com quem eu me envolvo? É minha falta de maturidade?
É minha falta de planejamento financeiro?
É minha falta de paciência?
Minha falta de fé?

Qual o pecado eu estou pagando agora?

Eu cansei. E eu não tenho mais forças.
E dói.

Dói.

Eu não aguento mais.