30 de abril de 2017

7h07 make a wish

Estou acordada faz um bom tempo.
Dormi mal essa noite. Eu nunca fui de ter um sono tranquilo, mas hoje foi pior. Talvez o jantar, talvez a bebida. Ou talvez seja só a minha cabeça que insiste sempre em funcionar.
Já decidi que na minha próxima vida eu quero voltar como cachorro só pra poder ficar perto de você sem problemas.
Nessas horas acho que a morte seria uma solução: quanto antes eu for, mais rápido eu volto.
Mórbido. Eu nunca tive medo de morrer.
Sei lá... É algo que acontece com todo mundo. E não, não estou nenhum um pouco afim de morrer.
Quero longos anos.

Enquanto eu olho pro teto imagino o que você deve estar pensando ou fazendo agora.
Recebi sua mensagem.
Talvez você olhe para o lado e numa última tentativa imagine que sou eu.  Mas acredito que você deve estar dormindo. Você sempre dorme. Das coisas mais bonitas que eu já vi na vida: você acordando. Invejo o corpo que está aí ao lado e que não é o meu.
Talvez você esteja chegando em casa agora. Talvez esteja ainda se arrumando no quarto do motel.
Talvez você se arrependa de ter me mandado mensagem, talvez não.
Eu não acabei com você. Eu te despi. Não só de roupas ou máscaras. Eu te despi a alma quando te mostrei a minha.
Eu nunca tive medo de estar nua perto de você. Até gosto. Gosto que você me conheça por dentro e por fora. E gosto que tua boca conheça o sabor de cada parte do meu corpo. Acima de tudo: gosto de velar teu sono.
De forma poética o cavaleiro ariano serve ao seu senhor.  Eu me identifico com um cavalo selvagem. Desses que não aceita rédeas, mas que é leal, que escolhe a quem vai servir.
Minha palavra é lei.
Até o fim dos meus dias, por tudo aquilo que há de mais sagrado...
Eu não preciso dizer, você sabe.

Numa realidade paralela eu agora estaria assistindo teu sono. Tentando sair da cama de mansinho, sem te acordar pra poder ir ao banheiro. Eu tento.
Eu saio. Mas você acorda ainda assim, pois sente falta do calor do meu corpo.

Momento engraçado: eu realmente fui ao banheiro. Topei com a minha prima no caminho. Seis anos de idade. Minha vontade de ter filhos só aumenta. Minha cabeça foi pro futuro e pro passado ao mesmo tempo, porque eu lembrei o quanto eu quero que você seja a mãe dos meus filhos. Dos nossos filhos.  Lembra s uma vez que você me perguntou se eu conseguia me ver tendo uma família contigo e eu te descrevi uma cena?
Esse encontro num domingo de manhã com a minha prima pela casa poderia ser nosso. Poderia ser um filho nosso, tão sem vergonha quanto eu, que não consegue dormir igual a mim, que fica perambulando pela casa de manhã.
Duas realidades possíveis: se isso acontecesse de verdade hoje você iria ganhar café da manhã super especial. Na cama? Talvez na cama. Ou aqueles com a mesa inteiramente arrumada.

Voltando a hora em que você acordou lá em cima. Eu voltaria pra cama te olhando de um jeito que você sabe que só eu te olho... E te encheria de beijos enquanto você tenta dormir mais. Eu adoro te provocar. Eu adoro te deixar com tesão...

Eu quase sinto teu cheiro em mim.
Em outra realidade nesse exato momento a gente se ama sem culpa, sem roupas, sem máscaras. Sem se preocupar em abrir a janela porque o perfume do nosso sexo exala e toma conta do lugar.

7:49

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