23 de abril de 2017

A racionalidade dela sempre me assustou. Eu sempre me senti a boboca caipira depois que eu me apaixonei. E olha que demorou um pouco.
Eu demorei pra me apaixonar. Eu trato as pessoas bem, sou carinhosa por natureza. Quer dizer, sou? Sou quando eu quero. Já me chamaram de insensível por incontáveis vezes.
O meu desinteresse pela sociedade em geral em parte é patológico, em parte é uma certa arrogância da minha parte mesmo.
Ultimamente ando evitando contatos sociais: é só olhar pra minha semana. É como se ao sair todo mundo pudesse ver todas as minhas feridas.
Eu tô sangrando em carne viva mas tô fingindo que está tudo bem. Então pro resto do mundo eu estou super feliz porque eu fui viajar a trabalho e agora estou em férias. Não, eu não estou reclamando, mas é um saco acordar de madrugada sem ar e demorar pra conseguir voltar a dormir.

Voltando ao medo da racionalidade: acho que pessoas racionais tendem a sofrer menos. E eu sou esse monte de sentimento com os quais não sei lidar.
Acho que eu estou sempre fugindo de enfrentar algo. Sabe aquela coisa de não querer admitir que eu sou um fracasso quando o assunto são minhas relações.
Sei lá, não consigo manter ninguém por perto. É necessário? Não sei. Talvez.

Eu sempre a achei muita areia pro caminhão. Muita. Bem mais do que eu poderia lidar. Sabe quando você acha que você não merece? Eu tenho essa sensação até hoje: eu não mereço. Um senso de inferioridade, de não merecer amor. Ruim? Sim. Tento mudar? Tento. É fácil? Nem um pouco.

Hoje em dia eu me sinto muito mais bonita do que antigamente. Sei das minhas qualidades. Não sou tão burra, poderia ser uma profissional melhor. Poderia ter um padrão de vida melhor.
É, eu me cobro demais.
As minhas reclamações vem de uma vontade de ser melhor. Quem sabe sendo melhor eu encontre alguém que me ame.

A razão é muito óbvia às vezes. Só que eu me perco nesse monte de sentimento bom e ruim que tem aqui dentro.
Não é que ela me equilibre. Mas ela me mostra o caminho de uma forma tão fantástica, tão simples. E mais do que isso: eu sinto como se eu pudesse torna-la uma pessoa melhor.
Eu sei que ninguém completa ninguém. Tanto que um ano atrás eu estava OK. Só que é ruim experimentar algo bom e não ter mais acesso. Pergunte a um rico que perdeu tudo. É muito pior do que um pobre que está acostumado a viver com pouco.

Eu sempre cobrei demais dos outros. Na minha cabeça o par ideal teria incontáveis atributos. Aí me vem ela. E eu aprendo a gostar dos defeitos.
Porque gostar das qualidades é muito fácil. Quem não gosta de uma loira dos olhos azuis? Mas não foi isso que me chamou a atenção.

O que me chamou a atenção foi o interior. A parte que ninguém tem acesso. Os medos. As inseguranças. As coisas que de alguma forma são parecidas comigo. De um jeito torto, mas são.
Enquanto eu não controlo os sentimento e deixo tudo vir a tona, ela controla tudo. Sufoca. Tenta em vão arrancar a raiz de um sentimento que é muito maior do que o que a gente pensa. Daqui exatamente um mês vai completar um ano do dia que nos falamos pela primeira vez.
Desde então viver tem sido algo diferente. Intenso: Tanto para o bem quanto para o mal.

Se ela é o sonho, eu acho que eu sou o pesadelo. Acho que todas as minhas reclamações e especialmente minha doença a afastam.
Ela diz que me faz mal.
O que me faz mal é não poder viver esse sentimento. Não poder ser plenamente, não satisfazer minhas vontades. O que me faz mal é a ausência.
Ausência da voz, da presença, de partilhar a vida.

É isso o que me machuca, mas não adianta eu falar. Nada do que eu faça vai mudar uma decisão que já está tomada e que não cabe a mim mudar.
Por mim eu estaria junto. Ainda que escondido, ainda que de um jeito que nenhuma das duas merece, mas que é o que dá pra ser. Porque o inferno do lado dela ainda é melhor do que o paraíso sozinha.

Eu sei que ela não vai voltar.
Mas nem por isso eu vou deixar de esperar.
Eu vou vivendo. Do meu jeito torto. Vou seguindo. Mas eu ainda estou esperando. E vou esperar por todos os meus dias.
Tá marcado na pele. Na alma.

As palavras não expressam o quanto eu gosto. Eu nunca disse. Não cheguei nem perto. Primeiro porque ela é racional, segundo porque eu tenho medo dela achar tudo isso uma bobeira sem fim. E eu sempre tive medo de parecer boba, inocente. Por mais que eu saiba que eu sou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário