17 de abril de 2017

Sobre o vazio das lembranças

Ontem foi mais um dia onde recordar doeu.
As pessoas dizem que eu tenho que superar. É, eu também acho isso. Eu tenho que esquecer.
Mas eu consigo esquecer? É uma bosta ficar lembrando de como era simples ser feliz com você do lado. É um saco lembrar do som da sua risada ou de como eu ficava toda boba te olhando enquanto você roncava profundamente ao meu lado.
É um saco relembrar todas as conversas de bar, as cervejas, seus gostos, ou você cozinhando. Foi tanta coisa em tão pouco tempo.
Eu sei que não dá pra voltar no tempo e consertar. Eu só não consigo conviver com esse vazio. Dói.
Dói tanto que tenho vontade de bater com a cabeça só pra esquecer. Eu sempre tive medo de ter Alzheimer por conta do meu avô. Hoje eu queria que a doença fosse hereditária. É isso ou morrer.

É drama?
Não sei.
Eu tiro forças não sei de onde.
Enquanto isso você deve estar feliz. Vivendo sua vida, amando outras pessoas.
Invejo sua capacidade de me ignorar, de fazer de conta que eu não existo.

E de fato eu não existo.
Eu não importo.

"I was cryin' when I met you / Now I'm tryin to forget you / your Love is sweet misery / I was cryin' just to get you"

Depois de um mês eu peguei meu carro novamente. Eu ando devagar que é pra não ter perigo.
Eu não sei até quando eu vou suportar tudo isso.

No Rio eu tive outra crise.
Eu calo muita coisa.

O que mais me deixa puta nessa história é que a gente se dava tão bem.

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