15 de maio de 2017

Prefácio de uma história de amor

E se soubéssemos todos a quem vamos amar, ou se vamos amar, no exato instante em que conhecemos alguém, você escolheria não amar?
Tenho escrito por dias e dias, entrelinhas, sinais de fumaça e às vezes até no canto de um guardanapo usado sobre um amor.
Aí fico na dúvida, se é sobre um amor ou se é sobre o amor.
Sobram ou faltam palavras?
Quantas coisas ficam implícitas nas minhas redes sociais? E quantas deixo de dizer pelo medo que as pessoas têm de confrontar sentimentos.
Quanto disso tudo é uma romantização exacerbada e sem sentido? Ora pois, quantos não foram os que escreveram sobre o amor? E quantos escreveram sobre um amor?
Sou mais uma numa multidão de iludidos, de cegos, de inocentes. Ou seriamos nós culpados?
Essa relação com o sentimento e com as pessoas é estranha. O que nos faz amar?
O que te faz amar?
O que te faz abrir mão de alguém a quem se ama?
Por que o sentimento não pode fazer parte de uma realidade? Por acaso o amor não é real?

Embora tenha lido pouca coisa dele, gosto muito de Caio Fernando Abreu. Por quê? Talvez porque a gente veja o mundo intenso, talvez um pouco cru.

O que me move?
Eu sempre curei minhas paixões escrevendo.
Hoje eu sinto que eu tento eternizar algo. Hoje é diferente.
Sei lá se eu acredito em almas gêmeas. Encontro de almas, par perfeito. Acho tudo isso baboseira. Existe sim uma compatibilidade maior entre alguns seres humanos, mas a que se deve isso?
Será que é a missão evolutiva? Existem outras vidas? Outras realidades?

Deus existe?
Existe destino?
E o prefácio de uma história de amor fala sobre vida. Porque talvez viver sem amor não seja viver.
Você existe ou você vive?
Qual a sua relação com as pessoas que você gosta?
O quanto você arrisca pela sua própria felicidade?
O quanto eu sou capaz de arriscar? O quanto eu me prendo?
Esse emprego me faz feliz? O que me faz feliz?

A voz. A voz dela me faz feliz. Pena, que ela não sabe, ou sabe e finge não saber.
Ou sabe e me priva disso.
Mas não é só isso. Felicidade - assim como o tal do amor, aquele mesmo com quem eu briguei por esses dias - é feita de fragmentos. Não é uma peça única.

Por isso eu guardo tantos detalhes: são peças que no fim se encaixam e me fazem escrever mais e mais.
Espero que meus filhos leiam isso. Espero que eu venha a ter filhos para que eles leiam isso e se orgulhem da mãe deles. Porque a mãe dele nunca teve medo de amar incondicionalmente.

E se acaso você estiver lendo isso: me liga, estou de folga amanhã.

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