4 de maio de 2017

Sobre a madrugada

Era madrugada quando pensei nela novamente.
Algumas latas e garrafas de cerveja ainda estavam espalhadas pelo chão.
Enquanto eu tragava um cigarro solitário na varanda, as pessoas na sala conversavam sobre inúmeros outros assuntos triviais.

Eu olhei o horizonte, vi a rodovia e num passe de mágica meu coração e meus pensamentos foram em direção a São Paulo.
Pensei no quanto gostaria que ela estivesse ali comigo, bebendo, batendo papo, me abraçando e trocando beijos e sorrisos.

It's a wicked game.

Bebi mais.
Lembrei do começo da noite, onde ao chegar na casa da minha amiga a primeira pergunta que ela me fez foi: "E ciclana?" e eu não consegui segurar uma lágrima ao responder que ela tá bem e que temos nos falado um pouco.

Lembrei das palavras endereçadas ao Amor e quase gritei: Ei, amor, volte aqui, olha como você é incrível e maravilhoso, olhe para todas essas memórias e pra toda essa saudade, olha como o universo era mais incrível e colorido...
Mas não ia rolar. O amor que habita em mim está ferido. E eu, de certa forma, estou fugindo dele. Fugindo de um sentimento bom.

Aprendo coisas?
Sim. Estou aprendendo a esconder meus sentimentos embaixo de carcaça, me tornar uma pessoa fria.
Me tornar o avesso desse coração quase infantil que acredita em seres humanos melhores, que acredita em valores, acreditava que quando a gente realmente quer algo a gente luta por isso.

Pouco a pouco as esperanças vão murchando, tal como planta que não é cuidada e fica exposta ao sol e ao frio do inverno. Ressecando, perdendo a cor, dia após dia.

Dei fim aos "casos".
Não quero ninguém na minha vida. São meses enrolando e tentando preencher um buraco que só fica pior cada vez que procuro encontra-la em outras bocas, em outros beijos. Eu só fico pior. E eu sei que não vai dar em nada então pra que continuar? Já to machucando algumas pessoas com esse meu egoísmo.

Cheguei em casa o dia com o sol já nascido.
Ressaca.

Uma ressaca que me resseca a alma.
Se todo mundo vai morrer de câncer ao menos eu já escolhi o meu.

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