16 de maio de 2017

Sobre o meu respeito pelo passado

Eu não queria escrever sobre coisas que me deixam chateada. Acho que já passou da fase de ficar chateada.
Eu estou em esforçando tanto pra me manter bem. E tanto esforço se reflete que estou bem sem precisar me esforçar.
Eu só fico chateada quando por um instante, ela faz parecer que do lado de lá nada teve importância.

Eu dou muito valor a algumas coisas. E dar muito valor não significa dar mais valor do que deveria. Sei que as coisas tem pesos diferentes pra cada uma de nós, mas me chateia criar a teoria da conspiração de que não foi importante, de que não teve peso, porque eu sei que foi.

Ninguém mata um dia de trabalho logo no começo pra passar um dia em outra cidade por algo efêmero. Ninguém deixa um recado no varal. Ninguém sorri daquele jeito. Ninguém faz por mim o que ela fez, ninguém atravessa a cidade pra deixar um pote de doce de leite. Sei o quanto eu fui importante. Eu sei. Eu sinto. Da mesma forma que numa quinta-feira eu senti que ela havia saído com outra pessoa.

Explicação? Nenhuma.

Cada instante vivido junto, cada detalhe, cada coisa boba, pra mim tem um puta dum significado. Foram os melhores dias da minha vida. Foi especial, foi único. Porque todas essas coisas simples me mostravam algo real: um amor. Porque nunca precisou de muito pra ser incrível. Só precisava estar junto. E isso pra mim era essencial. Acho que por isso eu acredito que, se fosse pra voltar e eu sei que não é o caso, daria muito certo: porque não precisamos de muito pra ser incrível. São super poderes resultantes da nossa fusão.

Eu não faço ideia de como ela lida com os sentimentos. Não faço ideia de como ela organiza as coisas dentro dela. E ela insiste em me manter longe. Como ela mesmo diz: ela não me deve satisfações.
E eu não espero que ela volte. Por mais que eu queira, mas há diferença entre o que a gente quer no mundo e o que pode acontecer.
Aceitar isso me faz ficar em paz. Não há expectativa.
Eu trabalho com possibilidades. Sempre imagino os caminhos possíveis, as opções, os "e se". Minha cabeça se ocupa demais pensando nisso.

Às vezes é bom. Às vezes não.
É possível cair um raio cair aqui agora? É. Vai acontecer? Provavelmente não.

O fato das coisas não acontecerem não muda o respeito que eu tenho pelo que eu sinto. Eu nunca me importei em admitir que gosto. E gosto mesmo. Não dá pra negar, é visível o brilho dos meus olhos só de recitar o nome. Um sorriso bobo invade. Nessas hora seu agradeço a Deus, porque eu sei que é amor. Respeito muito isso. Respeito pra caralho.

Hoje eu chorei de novo. E não foi de alegria como quando eu chorei no final de semana porque a Gorda vai casar.
É ruim chorar quando alguém menospreza algo que pra mim é tão bonito.
É tipo filho, sabe? Não fala mal do meu filho, só eu posso falar mal. Esse amor é meu filho. E não admito que alguém fale mal, ria ou faça graça...

É meu.
É o meu amor. É o meu sentimento. Por isso eu guardo com tanto carinho as recordações. E guardo não só desse mas de outros relacionamentos. Mag tem amigos: Elvis, o hipopótamo, Steve, o cão. Os pops de Star Wars e do Batman. Ok, que gosto mais do Mag e do bendito pinguim que seca minhas lágrimas, e que nada disso bate a playlist. Sim, a playlist. Eu vou contar isso pros meus filhos.

Eu não me arrependo de absolutamente nada.
Pra mim não foi um erro. Valeu a pena por cada segundo.

Eu queria entender porque ela não se sente a vontade comigo.
Eu sou a rainha dos porquês.

Essa é hora em que sinto saudade dela calando a minha boca com um beijo. Rio sozinha.
Foi bom. Foi incrivelmente bom. E eu espero que do lado de lá ela tenha a mesma concepção.

Aí eu choro de novo, dessa vez de saudade.

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