15 de maio de 2017

Sobre a voz

Eu tenho aqui guardado um áudio sob sete chaves.
Uma voz de sono que insistia em ficar acordada só pra me fazer companhia na estrada na volta pra casa.
Um timbre de voz sensacional. Palavras sussurradas que avaliavam a noite anterior.

Quando a saudade aperta, eu ouço o áudio e levo pra cama um ursinho de pelúcia que costumava ter um cheiro sensacional...

O urso tem nome de banda. Da banda que fala sobre uma dança diferente... Enlouquecer pra se curar.

Eu quase enlouqueço de saudade.
Eu tenho medo de deixar de gostar.
Eu tenho medo de esquecer.

Uma vez, me contaram uma história de um casal que dançava... Quem me contou havia saído pra um passeio de bicicleta. Numa parada pra um cigarro esse alguém observou o casal. Às vezes a gente erra querendo acertar. Às vezes a gente se machuca querendo acertar.

Por aqui já não há mais dor ou desespero. Só ficou esse vazio mesmo. Essa falta desmedida. Essa ausência descabida.
Acho isso triste. Extremamente triste. Das coisas mais tristes.

Eu só queria ouvir aquela voz. Só isso. Eu fico feliz com coisas simples. Um telefonema faz toda a diferença. Um telefonema só pra eu ouvir um "alô, tá tudo bem?"

Sonhar não custa nada.

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