16 de julho de 2017

Carta pra Mari

Ei, bonita. Tudo bem?
Como estão as coisas aí no céu? São Pedro tem mesmo as chaves? Deus é mesmo esse cara sensacional?

Acabei de lembrar de você. Acho que se você ainda estivesse por aqui estaríamos comentando o episódio de Game of Thrones pelo Skype.
Acho que estaríamos tristes pelo nosso tricolor. E acho também que você estaria me consolando por eu ser tão burra por ainda não ter esquecido a bonita lá de SP.

Você faz falta.
Essa semana mais uma amiga minha vai pra longe, e não é longe, tipo pegar uma estrada e 4 depois tô lá, ou pegar um avião e pluft 3 horas depois estou lá. É longe tipo fora do país. Eu tô perdendo todos os colos que tenho.
Acho que se você ainda estivesse por aqui você seria parte da viagem pra Colômbia... E talvez eu já tivesse ido pra Floripa. Talvez eu tivesse ido bem mais que uma vez pra Floripa.

Naquele ano a minha programação era pra o próximo mês de janeiro, mas o cara aí de cima te chamou antes.
Por aqui tá tudo indo. Na real, tá tudo indo de mal a pior. Tá faltando amor próprio. Mas o que deixa tudo pior é que eu sei.

Eu sei de todas essas coisas e de muitas mais.
Da mesma forma que eu sabia que isso não ia dar certo. Ainda hoje eu lembrei das primeiras semanas com a bonita lá.
E eu lembrei que eu a bloqueei. E foi tão fácil no começo, Mari. Não tinha nada pra esquecer.

Agora tem.
Agora tem um monte de coisa pra desapegar. Tem cheiro, gosto, tato. Vozes, risadas. Tem infinitas coisas pra esquecer.
Mari, me diz, como é que a gente desiste de algo bom? Como é que se desiste de algo que a gente ama?

Eu nunca tinha apostado tudo. Nunca coloquei todas as minhas fichas numa coisa só. Nunca. Por isso eu era a fria, a sem sentimentos, a errada da história.
Mas aí veio ela.
E eu não apostava nada. Eu achava que ia dar em nada, mas essa filha da puta (com todo respeito) sei lá como, me fez ver que dava certo. Que estar perto fazia a gente dar um jeito pra tudo.
Ai eu apostei, Mari. Eu apostei tudo. Eu coloquei tudo ali. Absolutamente tudo. Tudo o que sou. Tudo. Colocaria todo o meu dinheiro. Todas as minhas forças.

Mas eu perdi. E perdi o rumo.
Sabe esses viciados em crack que saem de casa e perdem a noção de tudo. Eu to quase assim.
Tô questionando se tem alguma droga que me faça parar de pensar. Porque eu não quero morrer, embora às vezes eu ache que essa seja a solução mais prática pra resolver tudo isso.

Não briga comigo, Mari.
Eu sinto sua falta.
Ontem uma amiga veio me perguntar como eu estava, porque ela me conhece como poucas pessoas, então ela sabe que as coisas por aqui não estão nada bem... Acho que ela definiu bem minha atual situação "A gente se sente injustiçado, desprezado, não Amado por ninguém"

Eu só queria amor. E amizade pra mim também é amor.
Mari, se você estiver perto de Deus agora, pede pra ele olhar pra mim. Fala aí com ele, por favor.
Porque eu não aguento mais. Essa situação tá insustentável.

Eu bati na trave no café de sexta. Eu achei que estava tudo bem, mas saber que o motivo que faz ela me vigiar não é um bem querer me matou. Eu queria ser qualquer coisa, menos objeto de "culpa".
O que acabou comigo é saber que por mais que eu ache sensacional tomar um café com ela, ela olha pra mim como "um erro", um facepalm.
Um "onde foi que eu errei".

O que me corrói é saber que do lado de lá não ficou absolutamente nada.

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