4 de agosto de 2017

Varanda de inverno

Saí do trabalho e passei naquele posto 24 horas.
Peguei quatro long necks e voltei pro carro, não sem antes desejar feliz aniversário para aquele embuste que estava no posto também.
No caminho ouvi três ou quatro versões da mesma música. Pensei em duas pessoas.

Cheguei em casa, guardei três das quatro cervejas na geladeira e fui para a varanda. Eu queria um momento comigo, ver a noite joseense e pensar na vida.
Abri a primeira cerveja. O frio e o vento não me deixaram continuar com a programação de ficar ali, sentada, só olhando, dezessete andares acima do chão.

Acho que perdi o chão faz tempo.
E por ter perdido o chão. as esperanças, o rumo, o norte, a fé, o amor-próprio, eu tô numa ansiedade.
Pensei numa metafóra.
Esse vento que sopra durante o inverno quer espalhar as sementes daquilo que eu docilmente tento plantar.
Eu quero flores. Flores nesse jardim que ficou vazio quando você resolveu desistir.

É por isso que ando perdendo o sono. Quero que os olhos verdes preencham a imensa vastidão que os azuis deixaram.
São reencontros.

Tô aqui pensando se mando mensagem pros olhos verdes dizendo que não vejo a hora de encontra-la de novo. Tô aqui pensando. E pensar me mata.
E eu penso. Penso muito.

Não é isso o que eu queria, mas é o que tem para hoje.
Um dia de cada vez.
Essa insanidade.

Mais uma cerveja, por favor.
Eu saio da varanda com saudades do verão. Saio pensando no calor que você me proporcionava.

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